Reações do Tratamento de Câncer: Febre
- Dr Bruno Cardoso

- 22 de dez. de 2025
- 2 min de leitura
Por Dr. Bruno Cardoso
Se você chegou aqui através do vídeo nas minhas redes sociais sobre a febre durante a quimioterapia, já sabe que esse sintoma, embora possível durante o tratamento, jamais deve ser ignorado. Caso ainda não tenha assistido, deixo o convite para conferir o vídeo ao final desta leitura.
Para compreendermos a importância desse alerta, precisamos entender como a quimioterapia age no seu corpo. O objetivo das medicações é atacar células que se multiplicam rapidamente, como as do tumor. No entanto, nossas células de defesa, chamadas neutrófilos, também possuem essa característica de renovação acelerada. Por isso, é natural e esperado que a quantidade delas diminua temporariamente em determinado momento do ciclo.

Esse período de baixa na imunidade é chamado tecnicamente de "nadir" e costuma ocorrer entre 7 e 14 dias após a aplicação da quimioterapia. É aqui que entra o conceito de febre neutropênica: ela acontece quando a temperatura corporal sobe para 38°C, justamente no momento em que os neutrófilos estão em baixa no sangue.
A febre como sinalizador silencioso nesse cenário, assume um papel de protagonista. Em condições normais, nosso corpo reage a infecções com sinais claros como dor, inchaço, vermelhidão e a própria febre. Porém, quando os neutrófilos estão em número reduzido, o organismo não consegue montar essa resposta inflamatória visível.
Assim, a febre pode ser o único sinal de que o seu corpo está precisando de ajuda.
Quero aproveitar para tirar um peso dos seus ombros: muitos pacientes se sentem culpados, achando que fizeram algo errado. A verdade é que, na grande maioria das vezes, essas reações são causadas por bactérias da nossa própria flora natural — microrganismos que convivem pacificamente conosco, mas que aproveitam esse momento de fragilidade. Não é algo que você "pegou" por descuido ou falta de higiene.
Seguir a orientação do seu médico
de procurar o pronto-socorro imediatamente ao notar a febre (38°C) não é para gerar pânico, mas sim segurança. Precisamos verificar, através de um hemograma simples, se você está ou não em neutropenia.
Se a febre neutropênica for confirmada, iniciamos imediatamente um protocolo padronizado com antibióticos.
Ele assume o trabalho de proteção e combate as bactérias enquanto aguardamos sua medula óssea se recuperar e voltar a produzir novos neutrófilos — o que acontece naturalmente em poucos dias. Ao buscar o hospital rapidamente, você permite que iniciemos essa proteção no momento exato, garantindo que você atravesse essa fase do tratamento com todo o suporte necessário.
Porém o acompanhamento médico regular é importante para entender esses contratempos e sempre seguir as orientações do seu médico.



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